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Compliance e Governança

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Por que uma “Boa governança” é valor para um investidor?

6 de setembro de 2017

Sobre o autor


Bernardo Portugal

Bernardo Portugal

Mestre em Direito Comercial pela UFMG com o tema “governança corporativa no direito societário brasileiro”. Especialista em Direito da empresa e da economia pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Assessor jurídico com forte atuação em estruturações societárias, negociações de investimentos de Private Equity e venture capital, fusões e aquisições, planejamentos patrimoniais e societários. Membro do Painel de Mediadores da CAMARB – Camara Brasil de Arbitragem e Mediação. Conselheiro do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais – IMMC Membro do Conselho Consultivo da LEX NET – Law Firms Alliance...

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Nesta terça-feira, 5 de setembro, o Jornal Diário do Comércio publicou o artigo “Atrativos da boa governança para investidor”, escrito por Bernardo Portugal, sócio do escritório Portugal Vilela – Direito de Negócios. Nosso especialista em Governança Corporativa e Compliance mostra como esses elementos, antes considerados mera burocracia, se tornaram ativos relevantes para investidores. Confira o texto na íntegra.
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Imagine um grupo de investidores ouvindo os discursos de empreendedores, os chamados “elevator´s pitchs”, resumindo em tópicos o mercado alvo, o potencial de faturamento, a taxa de crescimento, os concorrentes, os investimentos necessários, o diferencial competitivo, o potencial de retorno ao capital etc. A plateia absorve as mensagens e raciocina como aquela empresa poderá ser valorizada no futuro, maximizando a eventual participação adquirida, seja em cotas, ações ou por meio do mais recente modelo de mútuo conversível para investidores anjos.

Passada a apresentação e mantido o interesse no approach, haverá que se travar uma conversa com os sócios, seja de uma start-up, média ou grande empresa, na qual o investidor começará a avaliar outros elementos para o sucesso do negócio. Apesar de a inovação ser fundamental, apenas a sua presença não será essencial para a decisão de investir. O mercado também, sozinho, não será o motivo dominante para a alocação de recursos de um investidor, seja ele anjo, venture capital ou de private equity. A qualidade, experiência e resiliência dos empreendedores é certamente fator chave, mas, de novo, isoladamente, ainda não serão suficientes para a decisão. Hoje, junto a todos esses elementos, mais um fator se torna crítico: a governança corporativa e as tais práticas de compliance, antes vistas como mera burocracia.

Até pouco tempo a governança corporativa e o compliance não faziam parte dessa avaliação.

Mesmo reconhecendo que a palavra risco sempre esteve associada ao businness de investimentos em participações societárias, nunca antes se avaliou tantos componentes para a decisão final de alocar os recursos. As seguidas crises econômicas, políticas e éticas trouxeram para o ambiente empreendedor a necessidade de avaliar também o risco do negócio quanto a existência de práticas corruptas ou procedimentos irregulares, passando a demandar a investigação da integridade dos ativos a serem objeto de aquisição ou investimento. E neste sentido a adoção de práticas de governança corporativa deixa de ser apenas uma busca pelo cumprimento de um check list para se transformar em uma exigência real capaz de definir se uma organização está ou não apta “limpa” para ser a escolhida. Um potencial investidor, hoje, precisa avaliar a idoneidade não apenas das pessoas físicas dos sócios, mas o verdadeira modus operandi da empresa da empresa alvo e seus administradores.

No Brasil não faltam recursos para investir nos mais diversos setores e modelos de negócios inovadores. Não faltam empreendedores capazes de revolucionar e mudar paradigmas. Mas ainda falta uma cultura organizacional que preze pela ética, integridade e organização, evidenciada pelas práticas de governança. Voltando à sala de investidores, após ouvir tantos discursos promissores, no mundo atual receberá investimento aquele que demonstrar que seu negócio é capaz de gerar valor, apesar do custo Brasil, pagando impostos regularmente, mantendo a contabilidade em dia, registrando a sua propriedade intelectual, não praticando contrafações e mantendo-se em conformidade com as leis e normas aplicáveis às suas atividades. Enfim, mesmo nesta crise, uma empresa com “boa governança”, com certeza será um ativo relevante e atrativo para encontrar investidores estratégicos ou financeiros.

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