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9. jul. 2015

Café da Manhã: “Autonomia do paciente versus nosso medo da morte”

Em 03 de julho tive a oportunidade de reunir em meu escritório, num café da manhã, profissionais da saúde (médicos, psicólogos hospitalares, fono etc.), todos com vívida experiência de trabalho com pacientes em estado grave de saúde ou mesmo terminais.
Evidentemente, pela sensibilidade e conhecimento de todos, fizemos um debate bastante rico e acalorado a respeito de como lidar com essas situações muitas vezes extremas e, em todos os casos, carregadas de emoção e humanidade.
Pude perceber alguns pontos básicos em comum que permearam este diálogo: o fato de nossa sociedade estar evitando se lembrar de que a morte é um processo natural e pelo qual todos passaremos, a falta de uma estrutura nos serviços para se tratar do tema e, ainda, a brutal distância que o Direito guarda com relação ao dia-a-dia desses profissionais.
Este último ponto, por ser minha matéria de trabalho, chama minha atenção, notadamente porque acredito que estamos lidando muito mais com questões de organização de trabalho e ignorância (no bom sentido da palavra) do que propriamente com falta de regramento legal.
Atualmente, não há dúvidas de que a dignidade da pessoa humana é um alicerce para a consecução dos demais princípios de direitos humanos. Parece não se questionar, ainda, que a autonomia do indivíduo (inclusive já escrevi outro paper sobre isso), sobre seu próprio corpo é um primado constitucional, tal qual o direito à ser informado.
Não obstante isso, não são incomuns os relatos de pessoas de todas as matizes ideológicas e de todas as áreas de trabalho (sejam médicos, enfermeiros, advogados, juízes ou membros do Ministério Público), que violam o direito de o ser humano escolher entre saber ou não, em sua totalidade, quais são suas próprias condições de saúde, dando-lhe o direito de manifestar, de forma clara e consciente, quais são seus desejos frente às diversas situações às quais pode ter que enfrentar, inclusive a própria morte.
Os diversos casos que discutimos neste encontro, inclusive o atualíssimo debate que tem ocorrido na França em torno do paciente Vincent Lambert demonstra que estamos ainda distantes de enfrentar a realidade da forma mais direta e objetiva possível.
Nossa Sociedade e nossas faculdades devem se preparar para tanto. Mas, enquanto isso, podemos nós, profissionais, aumentar os pontos de contato e discussão, buscar uma experiência mais prática da matéria e não somente teórica e nos despir de nossas ideologias e preconceitos.
E, sobretudo, podemos nos lembrar que cada ser humano é uma realidade única e não replicável e que, mesmo fragilizado diante de um quadro grave ou mesmo da morte, preserva todas as suas qualidades de cidadania e todos os seus medos e vontades. Portanto, deve ser radicalmente respeitado.

Confira Alguns depoimentos:
“Creio que este espaço para discussão de temas polêmicos e complexos como o de hoje, “Direitos do Paciente”, se faz necessário para buscarmos as mudanças que acreditamos ser necessárias.” – Simone Borges de Carvalho (Hospital Mater Dei)

“Achei o evento maravilhoso e esclarecedor. É necessário ressignificarmos a morte e darmos um novo sentido a esta passagem com mais leveza.” – Érika Massote Rios (terapeuta)

“Parabenizo pela iniciativa e sensibilidade diante das necessidades subjetivas do nosso paciente.” (Valenir Dias Machado Corrêa da Costa – Hospital Santa Casa)

“Pude repensar os cuidados e as ações possíveis na Instituição que trabalho. Repensar fazeres e trocas em equipe. Ver que a referência centrada no paciente tem significado o sentido do trabalho na atualidade.” – Tarcia Regina Coura Dutra (Hospital João XXIII)

“Muito bom!!!” – Gisele Martins Moura (Hospital Madre Tereza)

“Muito interessante, atual e claro, polêmico. Suscita busca de conhecimento, saber do olhar do outro colega para o bem maior. Humanização no cuidado da pessoa com doença ameaçadora da vida.” – Quéssia Moreira Grillo (Hospital Paulo de Tarso)

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