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Foto do post "centralidade do paciente".

Artigos . Direito da Saúde
Por: Ronaldo Behrens . 31 de outubro de 2017

“Centralidade do paciente” – você tem ouvido falar sobre isso?

Nos dois últimos anos, não sei se você tem reparado que o tema “centralidade do paciente” tem sido objeto de inúmeras ações, principalmente de marketing.

Todos, agora, parecem querer “colar” sua respectiva imagem a essa ideia, tentando revelar que considera o paciente importante e que faz tudo para atendê-lo de forma adequada e desejada.

Particularmente, gosto bastante do fato de que esse tema tenha despertado a atenção das pessoas da área de saúde. Mesmo que haja, atualmente, excessos e muita pirotecnia a respeito disso. Mesmo que haja, ainda, instituições que só buscam fazer marketing.

Contudo, observo que, geralmente, prevalece uma ignorância do que seria uma primeira onda de “centralidade do paciente”; que é um estrito respeito a seus direitos fundamentais, respeito à sua dignidade.

De nada adianta somente proporcionarmos aos pacientes um ambiente de luxo, com prêmios de arquitetura e de hotelaria, e nem mesmo criarmos vídeos bacanas sobre os momentos finais de um paciente, se não o tratamos, ao longo do tratamento, com o devido respeito.

E respeitar os direitos fundamentais de um paciente passa certamente por entender sua autonomia, que é o pilar fundamental para a preservação de sua dignidade.

Pensemos a respeito!

O que nos difere dos objetos e dos animais é exatamente nosso poder de discernimento e nosso livre arbítrio. Ou seja: devemos fazer nossas escolhas a partir de um pool de informações que devemos ter para decidir.

Assim, autonomia, que é o autogoverno ou a capacidade de conduzir sua própria vida e tomar as decisões que impactam sua existência, só poderá ser efetivamente exercida se e somente se tivermos informações claras e suficientes para tanto. Isso é mais relevante, ainda, na área da saúde, uma vez que o conteúdo dessas mesmas informações não é acessível aos pacientes sem a facilitação de um profissional tecnicamente preparado.

Com as devidas informações, claras e acessíveis, poderemos, a partir de nossos valores e crenças, visão de mundo e filosofia de vida, escolher um caminho a seguir.

Embora eu incentive, não adianta imaginar que respeitar o paciente é ofertar uma estrutura predial e hotelaria com prêmio de arquitetura ou design. Não adianta pensar que respeitar o paciente é somente proporcionar um último dia de vida glamouroso.

No dia-a-dia, não podemos nos afastar da realidade de que ninguém procura um hospital para passar uma temporada de própria vontade; mas somente quando precisa. E mesmo que o último dia seja cercado de compreensão e amor, precisamos lembrar que há outros anos anteriores a esse momento que são recheados de angústias, inseguranças e dor.

Respeitar o paciente é prestar atenção à sua dignidade; o que só é possível se preservarmos seu poder de decisão (autonomia); o que só é possível se lhe proporcionarmos informações claras e adequadas sobre seu estado de saúde.

Na crueza da vida, essa é a estrutura básica da estrada que temos que percorrer. A qualidade do asfalto e a presença de flores ao longo do acostamento é importante; mas sem o básico garantido, soa agressivo!