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Artigos . Compliance e Governança
Por: Bernardo Portugal . 1 de novembro de 2017

Diversidade e equidade são elementos da gestão moderna

Diante de todas as mudanças culturais, equidade e diversidade devem fazer parte de todo modelo de Gestão e de Governança. Leia a seguir o artigo do Bernardo Portugal, sócio do escritório Portugal Vilela Almeida Behrens – Direito de Negócios, publicado no dia 31 de outubro no Caderno Opinião, do Jornal Estado de Minas.
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Há muito se tem discutido a importância de as empresas zelarem pela diversidade no ambiente de trabalho. Essa era uma realidade longe de ser, de fato, defendida e propagada. Entretanto, com o advento das redes sociais, que se tornou a ferramenta mais poderosa de liberdade de expressão, a questão tem ganhado força e pede atenção das gestões das empresas. Hoje, as pessoas têm se permitido revelar suas identidades, preferências e crenças, seja no âmbito social, político, cultural, religioso, étnico ou de gênero.

Vale dizer que um dos princípios orientadores da boa Governança Corporativa é o da equidade, que, em bom português, significa “tratar a todos de forma equilibrada”. Ressalte-se que diversidade abrange tudo o que possa envolver qualquer tipo de preconceito e discriminação, que são inaceitáveis. Paradoxalmente, no entanto, para assegurar a igualdade, é preciso estabelecer e praticar políticas que visem assegurar o direito e o bem estar de todos, sem restrições. Na tentativa de explicar, vejamos três exemplos simples. 1) Para garantir o acesso democrático a um prédio público a todos os cidadãos, é preciso que se construa não apenas escadas, mas rampas e elevadores. 2) Na questão étnica ou social, o estabelecimento de cotas, teoricamente, visa a permitir condição de acesso equilibrada a universidade pública e gratuita. 3) O percentual mínimo de 30% de candidatas mulheres nas chapas para as eleições é outro exemplo de se buscar maior equidade, neste caso, de gênero.

Situações com as quais nos deparamos hoje, por muito tempo estiveram relegadas ao segundo plano, ficando adstritas às respectivas culturas regionais, nas quais, quanto mais conservadoras e fechadas, mais difícil de iniciar um processo de flexibilização dos preconceitos, barreiras e tabus. Muitos dirão: não sou obrigado a mudar meus conceitos. Mas fato é que a humanidade mudou. Estamos diante de uma metamorfose viva de nossa cultura, do amanhecer de uma nova realidade, em que a equidade e a diversidade fazem parte do modelo de Gestão e de Governança, seja de uma comunidade, de uma empresa, de uma cidade, de um estado ou país. E as leis, normas, regras, regulamentos, contratos, pactos ou qualquer outro nome que tenhamos dado aos ordenamentos que construímos precisam ser adaptados.

Novamente: a implosão das fronteiras virtuais impuseram a toda e qualquer organização humana à impossibilidade de ignorar que o mundo real é heterogêneo. Hoje, não é mais possível dizer que uma empresa, entidade, governo ou comunidade são éticos se a cultura organizacional não for praticante de uma filosofia que abranja a equidade e a diversidade. Entretanto, ainda assim temos nos deparado recorrentemente com atitudes preconceituosas. Eu me pergunto: como, nos dias de hoje, uma empresa pode se recusar a contratar uma pessoa com necessidade especial, uma mulher ou um negro? Como pode uma escola se recusar a receber uma criança especial? Como pode alguém afirmar ter a “cura” para uma opção sexual? Finalizo com uma reflexão: basta “calçar os sapatos do outro” para entender que o direito à diversidade e equidade é real. A busca pela aceitação é inerente à condição humana. Os seres humanos são, em sua essência, uma enorme e rica diversidade. Num futuro muito próximo, serão as empresas, que não perceberem e não se adequarem a essa realidade, que correrão riscos de serem segregadas.