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Artigos . Direito da Saúde
Por: Ronaldo Behrens . 17 de outubro de 2019

O médico e a experiência do paciente

Mais um ano se passa e mais uma vez chegamos ao dia 18 de outubro, quando comemoramos o dia do profissional da Medicina. O que podemos esperar para o próximo ano para os médicos? Abre-se um rol de possibilidades para responder a essa pergunta, sendo que a maioria dos temas estarão ligados a um incremento tecnológico, excesso de profissionais em atuação e até mesmo extinção de boa parte do mercado de trabalho.

Todos esses aspectos parecem ainda distantes do dia-a-dia do médico; não obstante sejam fatores a serem considerados e debatidos constantemente.

Talvez, um dos grandes debates havidos em 2019 foi a resolução da telemedicina expedida pelo Conselho Federal de Medicina. Importa-me, para fins do raciocínio deste texto, pensar somente no argumento utilizado no sentido de que a utilização desta tecnologia poderia esfriar a relação médico-paciente, tão importante para o setor.

Sempre me deparei com este debate e todas as vezes perguntei: será que o mercado considera minimamente satisfatória a relação médico-paciente atualmente em curso?

Pela minha experiência de diversos trabalhos, inúmeras palestras e incontáveis relatos que tenho a honra e o prazer de ouvir, afirmo que não! Ou seja, precisamos trabalhar com urgência novos parâmetros para uma evolução nesta relação.

Daí entra em cena a atualíssima discussão sobre a experiência do paciente.

Não me proponho a trazer, aqui, sequer uma definição sobre “experiência do paciente” ou analisar as várias correntes de ideias.Simplesmente, gostaria de informar aos médicos que ainda não se debruçaram sobre o tema, que a essência de uma boa experiência do paciente tem relação direta com o diálogo, com o respeito à sua autonomia; enfim, com uma relação médico-paciente desenvolvida em bases éticas e humanitárias.Para 2020, se eu fosse um médico e se tivesse que eleger uma prioridade para focar meu desenvolvimento, seria, indubitavelmente, em repensar, reconstruir, evoluir a relação que mantenho com meus pacientes.

Este é o desejo e cada vez mais será a exigência de profissionais e instituições de saúde que atendemos e, assim sendo, dos pagadores (ou administradores de recursos) de serviços de saúde.

Qualquer ferramenta, futurista ou não, seja telemedicina, seja um software qualquer, robótica, exames ou medicamentos inovadores; nada muda o fundamento da indústria de saúde: seres humanos cuidando de seres humanos.

Neste quesito, você, médico, tem “a faca e o queijo nas mãos”, pois, toda vez que é procurado por alguém fragilizado por uma doença qualquer, abre-se uma oportunidade de interação com um outro ser humano que está pré-disposto a depositar em você a esperança de voltar à sua normalidade.

Este é o seu presente diário. A construção de vida que você fez e uma enorme responsabilidade de honrar esta confiança.Só você poderá trazer a indústria da saúde para seu eixo. Mas isso só será possível se estiver de braços dados com o paciente.

Por isso médicos merecem receber maiores e mais constantes reconhecimentos. É o protagonista da mudança que precisamos implementar na indústria de saúde, “plano” que está embutido na ideia da “experiência do paciente”.

Contamos com vocês!