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O que pensamos . Artigos . Middle Market . Compliance e Governança . Empresas Familiares
Por: Bernardo Portugal . 25 de janeiro de 2018

Empresa com Planejamento Estratégico em sintonia com as regras de governança e compliance têm mais chances de sucesso no mundo atual

De nada adianta desenvolver o planejamento estratégico da sua empresa, se ele não estiver alinhado com as políticas de governança corporativa e regras de compliance. Esse é o tema desse artigo escrito por Bernardo Portugal, sócio do escritório e nosso especialista em Governança e Compliance, publicado no caderno Opinião, do Jornal Estado de Minas na ultima segunda-feira (dia 22/1/2018).
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A virada de ano permite uma avaliação do que foi realizado e, a partir de um olhar crítico, a busca por novas medidas para que o próximo período seja mais positivo. Independentemente do porte da empresa, é o momento propício para rever o chamado planejamento estratégico. Entretanto, de nada adianta se a estratégia da organização não estiver alinhada com as políticas de governança corporativa. Estamos falando de alterar a dinâmica das atividades de planejamento, que antes se atinham a concatenar aspectos administrativos e financeiros dos planos de ação, de modo a alinhá-los com as responsabilidades jurídicas da organização, desde o seu Chairman e CEO até o mais simples colaborador. É que com a tendência de disseminação das práticas de compliance, os aspectos legais contaminaram todos os processos de gestão estratégica. Uma empresa bem gerida, eficiente e geradora de valor terá necessariamente uma matriz de responsabilidades bem definida e capaz de ser verificada e auditada, sempre que necessário. Ou seja, o processo de gestão estratégica de um negócio precisa estar em sintonia com a sua governança legal.

Além disto, é importante que os administradores, ao fixar os seus indicadores de desempenho (KPI´s) passem a contemplar itens voltados à gestão dos riscos corporativos inerentes às atividades e setor. Podemos citar exemplos com reflexos diretos neste monitoramento dos riscos: 1) medir o índice de turn-over dos empregados pode ajudar na governança trabalhista, permitindo adotar políticas que reduzem a quantidade de ações na Justiça do Trabalho; 2) ter uma meta ligada ao clima organizacional pode auxiliar no atingimento das metas financeiras ao controlar o stress do time, diminuindo o absenteísmo e as doenças ocupacionais; 3) criar uma política para atender melhor à diversidade (gênero, etnias, religião etc) pode melhorar a captação de novos talentos e prevenir de acusações de assédio moral. Tais exemplos indicam que é possível ter medidas com conexão direta com aspectos de compliance. Agindo desta forma preventiva, há grande chance de a empresa conseguir evitar conflitos em seu nascedouro, o que poderá ir além do bem-estar descrito, trazendo resultados tangíveis do ponto de vista financeiro, seja por meio do aumento da produtividade, redução de custo operacional ou da prevenção de demandas contenciosas.

Portanto, realizar um planeamento estratégico implica em também considerar os aspectos legais de compliance e de gestão de riscos para além dos cenários econômicos, financeiros, políticos, comerciais e tecnológicos. E, tendo em vista a velocidade com que o mundo está mudando, se faz preciso encurtar o intervalo de revisão dos planejamentos, tornando o processo de planejar uma prática mais viva da governança corporativa. O estabelecimento de um calendário anual de reuniões da Diretoria ou Conselho com o estabelecimento de pautas prévias ajudará para que o cronograma jurídico esteja sempre alinhado com a visão estratégica.

Enfim, a construção do futuro de uma empresa está associado a um planejamento cada mais dinâmico em que as variáveis são cada mais complexas, sendo fator crítico de sucesso a adoção e verificação permanente das práticas voltadas ao compliance e governança.