LinkedIn Portugal Murad WebMail Contato Portugal Vilela Almeida Behrens - Direito de Negócios +55 31 3506-8200
Foto do artigo de Bernardo Portugal: “Transparência e prestação de contas nas empresas é mais do que relatórios e números”

Artigos . Middle Market . Compliance e Governança . Empresas Familiares
Por: Bernardo Portugal . 22 de dezembro de 2017

Transparência e prestação de contas nas empresas é mais do que relatórios e números

O mundo mudou, as práticas de governança evoluíram e exigem que as empresas ampliem a sua compreensão sobre transparência e prestação de contas. Esse é o tema do artigo de Bernardo Portugal, publicado no dia 21 de dezembro, no Caderno Opinião, do Jornal O Tempo. Confira abaixo o texto na íntegra:
__

O final de ano é sempre desafiador para as empresas. Todas, sem exceção, entram num ritmo acelerado para cumprir as metas e encerrar o exercício financeiro, de preferência com bons resultados. É nesse momento que os administradores focam em começar a preparar o balanço anual e as demonstrações financeiras, visando obter o parecer favorável dos auditores e a aprovação dos sócios. A maior parte das empresas brasileiras acredita que apenas com esta prática estará em dia com a transparência e a prestação de contas, basilares da governança corporativa. Sinto informar que, hoje, isso não é mais suficiente. Não basta atender à obrigação de apresentar balanços e DRE´s. O mundo mudou, as práticas de governança evoluíram e exigem que as empresas ampliem a sua compreensão sobre o significado destes princípios.

Quando falamos em agregar valor à transparência esta deve–se converter em um autêntico “desejo de informar” e não apenas de cumprir um check list. É preciso que os administradores compreendam que a realidade atual pede uma transparência efetiva. Isso significa criar ambientes e situações que permitam uma comunicação mais clara, espontânea e proativa, que visa a permitir a construção de canais permanentes não apenas entre os sócios, mas também com os clientes, fornecedores, colaboradores e até mesmo com a comunidade local. Sim, hoje qualquer cidadão deve também ser considerado público alvo. E esta realidade é irreversível.

Prestar contas da atuação social da empresa na comunidade em que está inserida já vem se tornando algo comum para grandes empresas que adotam políticas de sustentabilidade. Na Bolsa de Valores brasileira (atualmente denominada B3) inclusive já existe o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que busca criar um ambiente de investimento compatível com as demandas de desenvolvimento sustentável da sociedade e estimular a responsabilidade ética das corporações. Na mesma linha, o Índice Carbono Eficiente (ICO2) da mesma B3, composto pelas ações de companhias que adotam práticas transparentes com relação a suas emissões de gases efeito estufa (GEE). Nessa mesma tendência, surgiu recentemente o conceito da empresa “B”, que valoriza o desenvolvimento social de todos os que estão envolvidos em suas atividades.

O olhar transparente da empresa para a prestação de contas é ainda mais holístico quando a empresa busca demonstrar aos stakeholders que ao realizar a sua missão empresarial, a empresa está agregando valor, liderando mudanças, inovando seu setor, criando empregos, melhorando os seus profissionais etc. Enfim, prestar contas e ser transparente atualmente envolve bem mais do que simplesmente elaborar balanços e demonstrações financeiras. A empresa moderna que deseja construir uma boa reputação, criar valor e ser percebida como ética, precisa, mais do que nunca, tornar-se um exemplo a ser seguido, tornando uma organização inspiradora, referência de melhores práticas de governança corporativa.