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Direito da Saúde
11 de fevereiro de 2015

Código de Conduta da ANHAP e a recepção de investimentos estrangeiros na saúde brasileira – Elogios

Recentemente, a ANHAP – Associação Nacional de Hospitais Privados – lançou um modelo de código de conduta empresarial, disponível no site da entidade (www.anahp.com.br), a partir do desejo de “cooperar na busca por um ambiente mais saudável para o mercado de saúde suplementar brasileiro”. A divulgação e patrocínio dessa ideia foi uma tremenda “bola dentro” dada pela entidade, pelo momento do mercado brasileiro, especialmente com a abertura da possibilidade de investimentos estrangeiros nos hospitais. Pretendo explicar as razões dessa minha avaliação.

Inicialmente, é importante destacar que, exceto poucas empresas, que não devem representar 5% do mercado, os hospitais, de uma forma geral, ainda não conseguiram implementar ações de profissionalização de suas gestões, notadamente práticas de governança corporativa e mesmo um código de condutas.

Sem essa organização mínima, não haverá investidor que se aventure a gastar seu tempo e nem seu dinheiro fazendo negócios com estruturas que não se mostram maduras para receber um novo sócio, notadamente em um período de crise política e financeira como a que o Brasil está vivendo. Os poucos investidores com apetite para nosso mercado exigem que as empresas estejam organizadas e com planos de negócios claros e bem criticados internamente, antes de sua apresentação.

Nesse sentido, uma iniciativa como a da ANHAP é louvável para o setor e os hospitais, que ainda não iniciaram sua modernização gerencial, têm uma boa oportunidade de começar a entender do assunto e, obviamente, se cercar de consultores especializados para que atinjam um nível mínimo de profissionalização da empresa. E esta medida é salutar mesmo que não haja intenção de venda de participação, diga-se de passagem.

É óbvio que o conteúdo trazido pela Associação trata-se de uma mera enunciação de pontos relevantes a serem considerados pelos hospitais, como não poderia deixar de ser e, portanto, escolhas estratégicas, adaptações e operacionalização dos trabalhos tornam-se necessários.

De todo modo, parece-me bom destacar a sincronicidade do trabalho apresentado pela ANAHP com o momento do mercado, a partir da aprovação da Lei nº 13.097/15, posto que os hospitais têm uma grande possibilidade de evoluírem bastante. Mas, para isso, há um duro trabalho a ser feito.