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Direito da Saúde
15 de maio de 2015

Como os hospitais poderiam utilizar os erros profissionais para melhorar a segurança do paciente?

Já tive oportunidade de escrever a respeito dos acidentes aéreos e sobre como a postura desta indústria poderia, caso aplicada ao setor da saúde, nos ajudar a evitar falhas futuras, aumentando significativamente a segurança do paciente.

Em uma palestra de 2012 que assisti no TED Talks, o médico canadense Brian Goldman, ao falar sobre o presente tema, afirmou que “a cultura da negação (e vergonha) da Medicina impõe aos médicos uma postura de nunca comentar sobre os seus próprios erros ou utilizá-los como fonte de aprendizado” (tradução livre, evidentemente).

Quando se estabelece um contato mais íntimo com  Portaria do Ministério da Saúde nº 529/2013, que trata do Programa Nacional de Segurança do Paciente, lê-se que, dentre as conceituações que fez a respeito da “cultura de segurança do paciente”, trouxe a ideia de ser uma “cultura que encoraja e recompensa a identificação, a notificação e a resolução dos problemas relacionados à segurança” e uma “cultura que, a partir da ocorrência de incidentes, promove o aprendizado organizacional”.

Diante de tudo isso, é imperioso perguntar: como fazer? Alguma instituição já pratica isso? Os profissionais estão preparados para tanto?

Correndo o risco de ser desmentido em “rede social mundial” (rs), mas até mesmo esperando por isso, respondo: “não que eu saiba!”

Claro que a resolução deste problema (“problema” sob minha perspectiva, claro!), está no ensino ofertado em nossas faculdades. Se não há prioridade nem sobre o ensino da deontologia e da gestão, imagina o que falar sobre aprendizado organizacional.

Mas, como temos “que trocar a roda com o carro andando”, defendo que uma cultura desenvolvida dentro de uma instituição de saúde já poderia alterar significativamente aquele ambiente nesse aspecto, servindo de inspiração aos demais prestadores.

Devo reconhecer que o Programa Nacional de Segurança do Paciente tenta trabalhar sobre este ponto e, se não se falar em erro profissional, até indica caminhos e certamente trará benefícios consideráveis aos usuários (pacientes, familiares e também trabalhadores da saúde) das instituições que a adotarem.

Não obstante, defendo que deveríamos ir mais fundo, avaliando cada erro cometido, tanto da própria estrutura e organização, quanto do profissional, médico ou não.

Como já revelei acima, para que isto seja possível, deve haver uma clara direção estratégica neste sentido. Uma verdadeira parceria entre a instituição e seus profissionais (principalmente corpo médico) induzindo a participação dos usuários. E isso só será possível se não se instalar um ambiente de julgamento e punição; mas de solidariedade e generosidade, compreensão e apoio. Afinal, a ideia é aprender com os erros e não perseguir profissionais.

Já participei de vários momentos em que esta ideia se mostrou possível. Infelizmente, fruto da ocasião e não de uma política estratégica da instituição.

Fica aí meu incentivo e apoio irrestrito!