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Artigos . Direito da Saúde
Por: Ronaldo Behrens . 6 de outubro de 2016

Núcleo de Segurança do Paciente e sua interface com médicos e pacientes: como gerenciar esta relação?

No dia 09 de setembro realizamos em nosso Escritório mais um café da manhã envolvendo este importante assunto, que pode revolucionar a prestação dos serviços de saúde.

Em que pese ser uma obrigação legal, a maioria dos hospitais brasileiros ainda não conta com um Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) ou só o tem pro forma; o que é um risco para a operação e, principalmente, uma tristeza para o sistema, pois a experiência tem se mostrado promissora no sentido de se promover a melhoria da qualidade da assistência à saúde.

Inclusive, já escrevi sobre este tema anteriormente (ver “Ainda sobre a Segurança do Paciente” e “O Protagonismo Paciente nos Programas de Segurança dos Hospitais”, por exemplo), dada a percepção que tenho no que tange sua essencialidade para o sistema de saúde.

Sempre que mantenho conversas e reuniões com os profissionais ligados ao assunto, há uma preocupação quase que uníssona relativa à adesão dos médicos ao Programa. Ainda, como venho defendendo ao longo dos anos, não se valoriza como julgo que deveria, a participação do paciente.

Falar sobre estes dois pontos é que foi o objetivo do café da manhã realizado e tive a oportunidade de trazer um artigo do British Medical Journal (BMJ), que trazia um interessante cenário que tenta explicar o porquê da falta de engajamento do médico, sugerindo medidas para se superar este obstáculo, tais como:
se superar este obstáculo, tais como:

  1. Histórico da organização em melhoria da qualidade – o hábito de se investir em qualidade pode ajudar este cenário;
  2. Disponibilidade de recursos e sua alocação – para garantir que os médicos tenham o tempo de que precisam para se envolver ativamente;
  3. Percepção do propósito da iniciativa – investindo-se em dar explicações sobre a finalidade dos programas, refletindo as prioridades e preocupações dos médicos, assim como a garantia de uma cultura de não-culpa;
  4. Evidência da eficácia – que contribui para a diminuição das dúvidas dos médicos;
  5. Expertise externa – apoio em suporte externo;
  6. Programa de campeões locais – promovendo a escolha de lideranças médicas a serem envolvidas no programa, dando credibilidade ao mesmo;
  7. Envolvimento da gestão – deve-se considerar formas de se engajar os gestores nestes programas, uma vez que estão em posição de apoiar o envolvimento clínico.

Interessante notar que, normalmente, tem-se uma visão de que o profissional da Medicina tem uma resistência injustificada ou tão somente fruto de uma imaginada “arrogância”; o que não se comprova na prática, uma vez que o engajamento é obtido por meio de explicação, exemplo, compartilhamento de visão e bom senso.

Além de fazer um bom diagnóstico da necessidade e da implantação do Núcleo de Segurança do Paciente, Breno Figueiredo Gomes trouxe a notícia de que a Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) criou uma Comissão Permanente de Segurança do Paciente, demonstrando de forma clara que os médicos de Minas Gerais estão abertos à discussão e mesmo aprendizado.

Referida Comissão procurará agregar profissionais de todas as áreas da saúde, compartilhando ideias e experiências entre os diversos hospitais do Estado.

Depoimentos:

“Excelente iniciativa trazer para discussão um tema de relevância.”

Elisa Assad
Hospital Mater Dei

“Excelente iniciativa de proporcionar a troca de experiências em prol da Segurança do Paciente.”

Camila Melo
Hospital Madre Teresa

“Muito boa a discussão; atual e proveitosa! Excelente.”

Gisele Moura
Hospital Luxemburgo



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