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Artigos . Direito da Saúde
Por: Ronaldo Behrens . 26 de agosto de 2019

“Experiência do paciente” é um tema mais profundo do que você pode imaginar!

Tenho falado e discutido há bastante tempo sobre o sistema de saúde brasileiro e sempre com o objetivo de colaborar com sua evolução. Defendo há mais de 15 anos que dar voz ao paciente é um desses caminhos. Mas, como alcançar esse desafio? Seja porque tenho formação jurídica ou por já ter alguma experiência em prestar consultoria a hospitais e clínicas médicas, jamais deixei de focar meu discurso na questão da autonomia do paciente como primeiro passo para chegarmos ao debate sobre decisão médica compartilhada (ou colaborativa, como alguns defendem atualmente).

Se há fortíssimos indícios de que trabalhar a experiência do paciente é um dos fatores de qualificação para o sistema e se paira no ar uma forte suspeita de que pode até mesmo trazer economia de custos financeiros, sempre me prendi no que julgo ser o argumento mais contundente de todos para se colocar o tema em prática: a obrigação ética de agir assim, pois representa, entre outras coisas, promover a autonomia do paciente.

Contudo, um ponto que sempre me incomodou foi o de como colocar isso em prática diante de um sistema absurdamente estressado e com pessoas igualmente tensas e, porque não, insatisfeitas.

Recentemente, tive a satisfação de ser aceito em um programa de pós-graduação do Hospital Sírio Libanês sobre “experiência do paciente e cuidado centrado nas pessoas”, a partir de uma parceria que o Instituto de Ensino do Hospital mantem com o The Beryl Institute.

Já no módulo inaugural, foi um prazer ter aula com o brilhante Jason Wolf (Ph.D, CPXP – CEO e Presidente do The Beryl Institute) e com o Marcelo Alvarenga (MD, MSc, CPXP – Chefe do Escritório de Experiência do Paciente do Sírio Libanês), um médico iluminado e apaixonado pelo tema.

Aprendi e caminhei um passo na direção de resolver aquela dúvida.

Para efetivamente praticarmos a tal da “experiência do paciente” precisamos de alguns movimentos anteriores, demonstrados já naquele primeiro módulo e, recentemente, reafirmado em café da manhã realizado nas dependências do Portugal Vilela Almeida Behrens com direito a uma nova aula do Marcelo Alvarenga: ter uma decisão da alta direção a respeito e cuidar de quem cuida.

O tema “experiência do paciente” tem sido, de alguma forma, maltratado pelo meio, que vez enxerga nele um modismo apenas e vez o infantiliza ao confundi-lo com realizar desejos de pacientes. Mas é algo bem mais profundo do que isso! Não são palestras ou workshops que nos ensinarão a lidar com o tema; não obstante tenham a chance de espalhar conceitos corretos e demonstrar a importância do assunto.

É muito patente e claro que qualquer projeto a respeito da “experiência do paciente” precisa ser validado, inicialmente, pela empresa como um todo, a começar da alta gestão, uma vez que não tem como ser desvinculado de uma estratégia bem articulada, posto ser algo que afetará horizontalmente a organização.

De outro lado, não existe nenhuma possibilidade de se praticar uma verdadeira “experiência do paciente” sem também levar em conta a experiência dos próprios colaboradores.

Marcelo Alvarenga precisa ser reconhecido pelo esforço e pelo pioneirismo no Brasil, já tendo ajudado a trazer várias outras pessoas bacanas para o seio desta discussão. Jason produz o mesmo trabalho em nível internacional.

Certamente, o The Beryl Institute não é o único centro de inteligência a trabalhar com o tema; mas é um dos melhores, sem qualquer dúvida.

As pessoas que puderam compartilhar aqueles momentos em nosso café da manhã saíram de lá encantadas com o tamanho e a beleza do desafio; mas também cientes de que este não é um caminho fácil, pois estamos tratando de mudança de cultura, de quebra de paradigmas.

De meu lado, mais uma vez, percebi por conta da emoção que senti que meu propósito de vida, de alguma forma, está ligado a continuar o debate que iniciei há mais de 15 anos, tentando contribuir para que momentos de fragilidade do ser humano (e estar doente é um desses eventos que evidenciam isso) possam ser ultrapassados com um pouco menos de dor e  frustração do que o que atualmente presenciamos em nossos hospitais.

Devo ser grato à vida por ter encontrado um propósito de luta!