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Direito da Saúde
10 de novembro de 2014

Gestão clínica e direitos dos pacientes

Li com muita atenção a notícia publicada na Saúde Business Web em 7 de novembro passado (Saúde Business 365), que trouxe a intervenção sempre inteligente de Gonçalo Vecina. Convido a todos à leitura da matéria e à reflexão se, de fato, estamos imaginando abrir espaço para uma voz ativa do paciente no processo assistencial. Estamos?

Em minha humilde opinião a resposta é “não como deveríamos” !

Se, de um lado, há um forte investimento em tecnologia e novos medicamentos no setor da saúde mundial (infelizmente o Brasil ainda está praticamente alheio a esse processo), de outro, fala-se bastante em construção de protocolos clínicos e na formulação de conhecimento para o tratamento de doenças.

Embora tenha a clara visão de que ambos os fatores devem ser incentivados, acredito que precisamos trazer à discussão duas questões igualmente importantes: a confecção de protocolos e conhecimento voltados para o tratamento da saúde (e remuneração para tanto, evidentemente), assim como o deslocamento do paciente da qualidade de “objeto’ para a de “sujeito” da relação.

Sobre este segundo ponto, querendo ou não ainda insistimos em deixar de fora a voz do paciente! Colocamo-lo no centro da atenção (em raras experiências), mas não temos competência técnica ou emocional para ouvi-lo e para interagir com o mesmo de forma igualitária e altiva. E isso não pode ser uma “frase de efeito”; mas sim uma completa mudança de postura das instituições assistenciais e mesmo dos profissionais de saúde.

Tratar o paciente como sujeito da relação é entender que os profissionais e as organizações de saúde são meios facilitadores para a cura ou, notadamente, a prevenção de futuras doenças. É validar a opinião do paciente e buscar ativamente sua manifestação. É, enfim, uma compreensão maior de que o ser humano é um ser único, com suas angústias, dúvidas e medos, mas que tem uma busca constante comum, que é a felicidade.

É este o contexto que precisamos praticar efetivamente para que o paciente tenha uma acolhida suficiente e que o faça participar ativamente de seu processo de saúde, baixando certamente, como bom efeito colateral, os custos do sistema.