LinkedIn Portugal Murad WebMail Contato Portugal Vilela Almeida Behrens - Direito de Negócios +55 31 3506-8200

Direito da Saúde
30 de abril de 2015

A saúde no Brasil e a urgência por investimentos e por criatividade

Recentemente, tive a oportunidade de escrever sobre a nova lei que abriu a possibilidade de investimentos estrangeiros em hospitais e outros serviços assistenciais. Revelei minha visão (ou esperança?) de que o mercado iria se movimentar e até mesmo experimentar uma importante evolução.

Prova disso, é que fui convidado a participar de uma mesa redonda na França, a fim de debater com empresas daquele país a opção de vir ao Brasil, investindo e explorando este mercado, estando presentes principalmente negócios ligados à telemedicina (ou e-health/e-santé).

Parece uma junção perfeita da “fome” com a “vontade de comer”, uma vez que há pessoas interessadas em trazer novos recursos para o Brasil, há uma legislação que possibilita esta operação sem qualquer condicionamento e, por fim, há uma convergência de diagnósticos a respeito desta necessidade; o que pode ser visto na Revista do jornal Valor Econômico voltada ao setor – pela opinião manifestada de líderes deste segmento como, por exemplo, o ex-Ministro José Gomes Temporão, o professor da USP Mário Scheffer e mesmo a coordenadora da GV Saúde, professora Ana Maria Malik.

Desta forma, porque não é pessimismo pensar que estes movimentos não serão rápidos ou fluidos? Que a evolução que eu mesmo espero, irá demorar?

Algumas indicações a este respeito são muito concretas!

Em primeiro lugar, não é difícil observar a extrema dificuldade que o setor tem de dialogar e pensar em cadeia de valor, salvo raríssimas e honrosas exceções: Governo não consegue conversar com o Conselho de Medicina, compradores vivem guerreando contra prestadores e os gestores, em sua maioria, não têm a humildade suficiente para efetivar a profissionalização de suas respectivas empresas.

Ainda, o setor não consegue convergir para um ponto comum e que, embora evidente, não está na pauta dos atores: o sistema deve ser pensado e construído em função e em direção ao usuário final. Participar ou assistir a qualquer debate sobre qualquer tema neste setor causa espécie, pois, muitas vezes, os pacientes são sequer citados nos diversos argumentos confrontados.

Por fim, há uma brutal falta de criatividade e estímulo à inovação no setor. Como exemplo máximo, a meu ver, está a postura do Conselho de Medicina com relação à própria telemedicina, quando impede uma consulta médica à distância, por exemplo.

Com sofrimento, percebi o clima de decepção nos olhos de um empresário francês quando tive que dizer que no Brasil a cabine de teleconsulta que sua empresa havia desenvolvido poderia ser operada desde que tivéssemos um médico nas duas pontas da comunicação. Isso, num país que é violentado por um programa de origem e racional duvidosos que, sob o argumento absolutamente válido de levar médicos à população, “importa” profissionais à margem de qualquer controle.

De todo modo, parece-me próprio manter a esperança de que iremos evoluir ao longo do tempo e rezar para que este lapso de tempo não roube tantas vidas de nossos cidadãos, usuários dos sistemas, como atualmente temos observado.

Compartilhe: Facebook Portugal Vilela Almeida Behrens - Direito de Negócios Twitter Portugal Vilela Almeida Behrens - Direito de Negócios LinkedIn Portugal Vilela Almeida Behrens - Direito de Negócios