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Direito da Saúde
18 de junho de 2015

Se você trabalha no setor de saúde, cuidado! Você será atropelado e poderá gostar da sensação

A leitura sempre foi um hábito bom, uma conversa com a alma, uma fonte essencial de aprendizado e de propagação da cultura e preservação da história. Às vezes, inclusive, nos traz alguns sinais e esperança.

Foi o que aconteceu comigo nas duas últimas semanas, ao ler sobre o lançamento do livro (Confissões brutais) do neurocirurgião inglês Henry Marsh, sobre o trabalho de alguns pesquisadores norte-americanos e ingleses com a utilização de drogas psicodélicas em pacientes terminais (na revista Piauí desse mês) e, por fim, com a entrevista de Cláudio Lottemberg nas páginas amarelas da Veja dessa semana.

Mas, o que tudo isso tem a ver com esperança e com atropelamento?

Venho escrevendo e defendendo há algum tempo que devemos colocar o paciente no centro da assistência à saúde. Não de forma apenas ideológica; mas pragmática. Falei disso ao comentar sobre o programa de Segurança do Paciente. Ainda, sempre defendi que devemos aprender com nossos erros no setor de saúde, tratando do assunto em outro paper, ou até mesmo fazendo uma transposição entre os acidentes aéreos e o setor de saúde.

Uma nova relação com o paciente terá que ser desenvolvida em algum momento no Brasil. A exigência por um papel ativo e principal é cada vez mais sentida por parte dos pacientes que, atualmente, têm acesso a direitos e a informações.

As desculpas que vimos observando ao longo dos anos (falta de tempo, baixa remuneração, incompreensão da técnica etc.), por mais concretas e reais que sejam, estão cada vez sendo menos admitidas.

Por isso tenho alertado desde 2005 pelo menos que um atropelamento virá! O mercado será profundamente abalado com esta transformação e não poderá reclamar, pois foi dele a incapacidade de perceber a mudança.

Quando Lottenberg, ao responder sobre a relação médico e paciente no Brasil ao repórter da Veja, fala que “a relação precisa ser mais humanizada [e que isso] envolve diversos fatores com um único objetivo – pôr o paciente no centro das atenções, sempre e cada vez mais”; ele está se referindo exatamente a este ponto!

Quando pesquisadores norte-americanos e ingleses falam da capacidade de trazer ao paciente, por meio da utilização de drogas psicodélicas, uma experiência mística e de aceitação da morte; estão praticando isso!

Quando um dos mais notáveis neurocirurgiões ingleses, Dr. Henry Marsh vem a público expurgar a culpa que sente por ter cometido alguns erros em sua brilhante carreira; está transcendendo o que se prega e pratica hoje em dia na Medicina!

A boa notícia disso tudo é que, passado o turbilhão, seremos mais felizes, mais próximos, mais confiantes e menos belicosos na relação com os usuários do sistema de saúde.

Parodiando a cantora Ana Carolina, “nossa esperança será posta à prova”! E, pegando emprestado o mantra consagrado pela torcida do Galo, “eu acredito” que o futuro será melhor do que o que estamos suportando hoje em dia.

O tempo dirá!