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Imagem que ilustra o artigo "Fake News e a nossa segurança jurídica"

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24 de Maio de 2018

Fake News e a nossa segurança jurídica

Já faz algum tempo que as nossas vidas são impactadas pelas redes sociais e mesmo quem não é um aficionado, sabe que tal fenômeno tem influências positivas e negativas nas reputações humanas e empresariais. Recente escândalo envolvendo o FACEBOOK, uma dos maiores redes sociais, revelou o quão pode ser nefasto o vazamento e a utilização indevida de dados pessoais, com objetivos menos nobres. A possibilidade de estarmos sendo manipulados pelos algoritmos, por meio da publicação de notícias falsas – “Fake News”, a partir justamente do monitoramento de nosso comportamento nos aplicativos e plataformas digitais globais é assustador.

O autor israelense Yuval Noah Harari (autor de Sapiens) no seu livro “Homo Deus” profetiza que estamos vivendo o alvorecer de uma era na qual as máquinas conhecerão muito mais sobre nós do que as pessoas mais íntimas, uma vez que sua capacidade de análise é infinitamente superior a dos humanos. Pode até haver razões que justifiquem este uso, como a coleta de dados para a melhora das predições sobre nossa a saúde, com evidentes coletivos. O problema é quando a inteligência artificial estiver sendo utilizada para obter vantagens ilícitas em processos competitivos privados (manipulação de bolsas de valores, por exemplo) ou em processos de interesse público (como para influenciar de forma clandestina os processos eleitorais), onde quer que aconteçam.

Nossa segurança jurídica, privacidade, liberdade de escolha e autonomia estão sendo colocadas em risco. E estes riscos atingem tanto as pessoas físicas quanto as jurídicas. É um fato real. Para enfrentar esta nova realidade, estratégias de proteção são essenciais:

1 – Procurar compreender como a divulgação de notícias, eventos e fatos do dia a dia pode afetar a vida da empresa ou do profissional liberal, desenvolvendo um processo de “gestão”, mesmo que básico, do relacionamento cotidiano com as mídias digitais. Isto implica definir claramente o quê e com qual finalidade se pretende publicar algo na rede;

2 – Avaliar, diariamente, a pertinência da associação, seja ela pessoal ou empresarial, às diversas plataformas digitais existentes, buscando inclusive sempre analisar o teor dos seus termos de uso/adesão disponíveis;

3 – Verificar, em todos os dispositivos eletrônicos já utilizados atualmente, as autorizações sobre limites de privacidade que já foram formalizadas e avaliar se de fato deseja-se manter  tais autorizações que envolvem desde o monitoramento de localização, envio periódico de dados, o acesso às câmeras, microfone e a autorização para republicar seus posts, suas imagens e vídeos, sem a sua intervenção.

Sim, a realidade virtual em que já vivemos implica em uma série de novos riscos, para os quais precisamos estar atentos, de modo a, sem que nos privemos de usufruir dos benefícios das novas tecnologias, possamos nos prevenir de sermos envolvidos em “Fake News”, manipulação de realidades e prejuízos pessoais e empresariais imensuráveis.

Precisamos, pois, compreender que navegar na internet é uma atividade que demanda zelo e diligência pessoal e profissional, ou seja, é hora de aprender a termos responsabilidade digital!

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Artigo originalmente publicado no Jornal Estado de Minas, Editoria Opinião, no dia 21 de maio de 2018.